Com uma periodicidade quinzenal, este clube destina-se a promover o prazer da leitura partilhada, bem como o desenvolvimento de algumas técnicas que ajudem a pôr em prática esta actividade.
Para quem gosta de ler para os outros e de ouvir ler.

próxima sessão | 11 novembro | sessão aberta*

será o tema
ATENÇÃO: os textos escolhidos serão obrigatoriamente POESIA

será responsável pelo "Livro do Dia"


* esta sessão do clube de leitura será aberta ao público. Os membros de CLeVA poderão trazer convidados, de preferência que venham também ler.

Como dia 11 de novembro é dia de S. Martinho é natural que alguém se lembre de trazer castanhas e água pé :)


Nascer


na sessão de hoje começámos por alguns exercícios relacionados com a imagem




de seguida a Cristina leu um pouco de
"A leitura em voz alta" de Georges Jean


o Fernando trouxe de Manuel Jorge Marmelo
"Uma mentira mil vezes repetida"


e entrámos nas leituras subordinadas ao tema da sessão:

a Teresa e a Maria João leram

"Quando eu nasci" de Sebastião da Gama

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,

nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais…
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém…

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos da minha Mãe…

de Serra-Mãe


e "Dia de anos do Pedro" de Maria Rosa Colaço

No ano em que eu nasci
tanta coisa aconteceu!
Caiu chuva, houve sol
e muito pão se comeu.

No ano em que eu nasci,
já outros corriam mundo,,
já outros estavam em guerra,
já barcos iam ao fundo.

No ano em que eu nasci
a vida, tal como hoje,
é uma luz, é um vento
que passa por nós e foge.

Nesse dia tão distante,
descobri que é bom viver.
Hei-de fazer dos meus dias
Todos, dias de nascer!

No ano em que eu nasci
não tinha medo de nada:
o colo da minha Mãe
era o ninho, era a estrada!

Mas no ano em que eu nasci
o melhor que aconteceu
fui eu! Fui eu! Fui eu
Fui eu!

de Versos Diversos para Meninos Travessos


o Tomás leu um excerto de "Apaixone-se pela vida" de Rogério Stankewski
e a Maria Teresa leu de Alberto Caeiro

Pouco a pouco o campo se alarga e se doura.
A manhã extravia-se pelos irregulares da planície.
Sou alheio ao espectáculo que vejo: vejo-o.
É exterior a mim. Nenhum sentimento me liga a ele,
E é esse sentimento que me liga à manhã que aparece.

de Poemas Inconjuntos


a Zenaida e a Paula leram um excerto de "A casa do incesto" de Anaïs Nin


a Maria e a Alexandra leram um excerto de "Pássaros feridos" de Colleen McCullough


as Gabrielas leram o conto "O último voo do tucano" de Mia Couto
de "Contos do nascer da terra"


o Luís leu de um excerto de "Rosa, minha irmã Rosa" de Alice Vieira


o Renato leu um excerto de "Eu, Cláudio" de Robert Graves


a Ana, a Ilda e a Margarida leram um excerto de
"O estranho caso de Benjamin Button" de F. Scott Fitzgerald


a Teresa e o Bruno leram de Álvaro de Campos

Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o eco... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

de Poesia de Álvaro de Campos


a Ana e a Luísa leram dois poemas (Era uma vez e Xarope) de "Histórias com Juízo" de Mário Castrim


o Fernando e a Cristina também foram aos "Contos do nascer da terra" de Mia Couto e leram

Era uma vez uma menina que pediu ao pai que fosse apanhar a lua para ela. O pai meteu-se num barco e remou para longe. Quando chegou à dobra do horizonte pôs-se em bicos de sonhos para alcançar as alturas. Segurou o astro com as duas mãos, com mil cuidados. O planeta era leve como uma baloa.
Quando ele puxou para arrancar aquele fruto do céu se escutou um rebentamundo. A lua se cintilhaçou em mil estrelinhações. O mar se encrispou, o barco se afundou, engolido num abismo. A praia se cobriu de prata, flocos de luar cobriram o areal. A menina se pôs a andar ao contrário de todas as direcções, para lá e para além, recolhendo os pedaços lunares. Olhou o horizonte e chamou:
- Pai!
Então, se abriu uma fenda funda, a ferida de nascença da própria terra. Dos lábios dessa cicatriz se derramava sangue. A água sangrava? O sangue se aguava? E foi assim. Essa foi uma vez.


e não poderíamos terminar sem paparocas, desta vez foram "Broinhas de batata"

Broinhas de batata

4 ovos
1/2 kg de batatas (cozidas com sal)
300 gr. de açúcar
500 gr. de farinha
Sumo de uma laranja ou limão
Canela ou erva doce
Fruta seca q.b.

Ovos+açúcar+batatas+farinha+sumo+canela+frutos secos
Formar bolinhas com a massa, levar ao forno num tabuleiro com papel vegetal, et voilà!

próxima sessão | 28 outubro

será o tema
ATENÇÃO: de preferência as leituras deverão ser preparadas em grupo

será responsável pelo livro do dia

Ilusão 2


Hoje começámos por falar do "Como um romance" de Daniel Pennac para além d

"O homem que lê em voz alta expõe-se em absoluto. Se ele não sabe o que está a ler, é ignorante no que diz, é uma lástima e isso ouve-se. Se se recusa a habitar a sua leitura, as palavras mantêm-se mortas, e isso sente-se. Se inunda o texto com a sua presença, o autor retrai-se, e nada mais resta do que um número de circo, e isso vê-se. O homem que lê em voz alta expõe-se totalmente aos olhos que o escutam."



Seguindamente foram feitas algumas sugestões:

a formação  Coro de Leitores , por Rodolfo Castro

e o encontro Maré de Palavras – Animar a Leitura Promovendo o Livro


Depois de uma série de exercícios de respiração entrámos nas leituras do dia

e foi a Luísa que começou pelo livro do dia
"O navio branco" de Tchinguiz Aitmatov
depois iniciámos as leituras subordinadas ao tema da sessão: "Ilusão"

não foi a primeira vez que abordámos o tema
da outra vez foi assim

a Teresa leu de Manuel António Pina

Matéria de estrelas

Porque é tudo para sempre, mesmo a efémera morte,
encontrar-nos-emos eternamente
e nunca mais nos veremos.
O impossível volta a ser impossível. Para sempre.

Impossível é cada manhã aberta,
um deus sonha consigo através de nós.
Às vezes quase posso tocá-lo, ao deus,
surpreendê-lo no seu sono, também ele real e efémero.

Matéria, alma do nada,
os mortos ouvem a tua música sólida
pela primeira vez, como uma respiração de estrelas.
A sua intranquilidade transforma-se em si mesma, música.

de "Todas as Palavras - Poesia reunida"


a Maria Teresa leu de Teolinda Gersão

Excerto do conto "A defunta"
(…)
Como era desembaraçada e com sentido de humor, em vida costumava dizer que não se preocupassem com ela, estava bem e recomendava-se, estivessem descansados que três dias antes de morrer avisaria. Afinal não avisou, mas a verdade é que as coisas aconteceram como se ela as tivesse organizado, como costumava fazer em relação a tudo:
Faleceu num sábado, quando as pessoas da família estavam em casa e era fácil avisá-las, e o enterro realizou-se no domingo, quando todos podiam deslocar-se sem faltar aos empregos nem atrapalhar demasiado as suas vidas. (…)
Um bom número de familiares chegou de manhã, outros um pouco depois, mas de qualquer modo antes do almoço, que alguns foram comer a um restaurante conhecido, a dois ou três quilómetros dali. Outros preferiram não almoçar, houve quem se contentasse com um prego ou um cachorro quente, e houve também quem não comesse, embora fosse óbvio que o jejum não tirava nem acrescentava nada à situação.
Mas à hora da missa, que era às três da tarde, toda a gente estava reunida, dentro e fora da igreja, a que mais se deveria chamar capela, porque era demasiado pequena para albergar tantas pessoas. Felizmente, tinham instalado, junto ao sino, um altifalante que permitia ouvir perfeitamente tudo o que se passava lá dentro.
Todos puderam, assim, escutar a longa homilia em que o padre enalteceu as qualidades da defunta e confortou a família enlutada. (…) Até que a missa terminou com a comunhão e a bênção, e se seguiu a encomendação das almas.
Isso foi, naturalmente, antes de o caixão ser fechado e selado e de já não ser mais possível olhar a defunta – que parecia muito aprumada e compenetrada, vestida de preto, como se não tivesse a menor dificuldade em se adaptar àquele papel, embora antes nunca o tivesse experimentado. Mas ela sempre assim fora – facilmente se adaptava, e aprecia sempre estar à altura, em todas as situações.
Então, começaram a sair da igreja os primeiros, a irmandade de Nossa Senhora, com uma opa azul celeste, depois a família e outras pessoas carregando ramos e coroas de flores. A seguir, antes do grosso do povo, saiu o caixão, carregado por dois filhos e dois netos, cada um segurando numa pega dourada, os netos nas da frente, onde era preciso fazer mais força, os filhos, com falta de cabelo e já grisalhos, segurando as pegas de trás.
e eis que o Tomás fez de defunta
Quem estava lá fora teve de repente a ilusão de que a defunta, em pessoa, caminhava à frente do caixão, pequenina e mirrada, mas segura de si, repuxando o xaile de lã e compondo o lenço em volta da cabeça.
Mas logo se percebeu que não era a defunta, mas uma sua comadre, da mesma idade e igualzinha a ela. A ilusão iria repetir-se, depois, no cemitério: várias pessoas julgaram ver a defunta caminhar convictamente por entre as campas, amparada à bengala. No entanto, em todos os casos, se verificou tratar-se de uma das comadres – havia várias, e eram todas iguais, portanto fáceis de confundir.

de "Histórias de Ver e Andar"


a Maria leu um excerto do conto "A ilusão na morte" de Afonso Ribeiro


a Alexandra mostrou-nos "Ah!" de Josse Goffin


a Gabriela leu um excerto de "Ilusão do saber - Os segredos da mente" de Massimo Piattelli-Palmarini


a Gabriela leu um excerto de "A mulher louca" de Juan José Millás


a Ana leu um excerto de "Horizonte perdido" de James Hilton


o Luís leu um excerto de "D. Quixote de la Mancha" de Miguel de Cervantes
e foi divertido ;)



o Renato leu excertos de "Middlemarch - Um estudo da Vida de Província" de George Eliot


a Teresa leu de Florbela Espanca

Perdi os Meus Fantásticos Castelos

Perdi meus fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!

Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
- Tantos escolhos! Quem podia vê-los? –
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!

Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias...

de "A Mensageira das Violetas"


o Bruno leu de Ruy Belo

Algumas Proposições com Crianças

A criança está completamente imersa na infância
a criança não sabe que há-de fazer da infância
a criança coincide com a infância
a criança deixa-se invadir pela infância como pelo sono
deixa cair a cabeça e voga na infância
a criança mergulha na infância como no mar
a infância é o elemento da criança como a água
é o elemento próprio do peixe
a criança não sabe que pertence à terra
a sabedoria da criança é não saber que morre
a criança morre na adolescência
Se foste criança diz-me a cor do teu país
Eu te digo que o meu era da cor do bibe
e tinha o tamanho de um pau de giz
Naquele tempo tudo acontecia pela primeira vez
Ainda hoje trago os cheiros no nariz
Senhor que a minha vida seja permitir a infância
embora nunca mais eu saiba como ela se diz

Ruy Belo de "Homem de palavra (s)"


a Margarida leu um excerto de "Kafka à beira-mar" de Haruki Murakami


a Luísa leu de Sophia de Mello Breyner Andresen
Fundo do mar   

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.

de "Obra Poética"



a Cristina leu um excerto de "Ilusão (ou o que quiserem)" de Luísa Costa Gomes


o Fernando leu um excerto de "Pleno emprego" de Miguel Cardoso


a Ilda não pôde estar presente mas enviou-nos o seu contributo que pode ser ouvido aqui em baixo
Excertos do livro XI "Confissões" de Santo Agostinho





e no final houve 'Boleima'

aqui fica de novo a receita:

Ingredientes:
4 chávenas de farinha
1 chávena de leite
1 chávena de óleo
1 colher de chá de sal
maçãs
açúcar amarelo
canela
manteiga

Confecção
Amasse bem a farinha com o leite, o óleo e o sal.
Depois de bem amassada, divida a massa em duas. Estenda uma parte e forre o tabuleiro (untado com manteiga e polvilhado com farinha).
Polvilhe a massa com canela e açúcar amarelo e, por cima, coloque a maçã cortada em lâminas. Volte a polvilhar com canela e açucar.
Coloque por cima da maçã a outra parte da massa e volte a polvilhar com açúcar e canela.
Corte a boleima em quadrados, antes de ir ao forno a 180º, durante 25min.

Coro de leitores | por Rodolfo Castro

CORO DE LEITORES
Esta proposta tenciona trabalhar uma história como se fosse uma partitura musical, para ser lida por um grupo de leitores em voz alta.

Vamos trabalhar os fundamentos práticos e teóricos da leitura em voz alta, diferentes abordagens, técnicas de expressividade e criatividade oral, trabalho gestual, técnicas de interpretação de leitura em voz alta e guião de leitura em voz alta coletiva.

Pré-requisitos: Todas as pessoas que tenham boa disposição para brincar muito com os sons, as palavras e a expressão gestual.

Datas: sábado 25 de outubro / sábado 1 e 8 de novembro

Local: Sede da Fundação José Saramago

Horário: das 11h às 13h

Custo: 30€

Informações e inscrições: Rodolfo Castro: habitantedoconto@gmail.com

próxima sessão | 14 outubro

será o tema

será a responsável pelo livro do dia

CLeVA 5.0 o início


Foi com enorme prazer que demos início a mais um ano de Clube de Leitura em Voz Alta de Alcochete.


Depois das apresentações, e porque estávamos em maré de começos, cada um escolheu um livro do qual leu o princípio

a Maria João leu de Jorge Amado, "A morte e a morte de Quincas Berro Dágua"

a Teresa Brito leu de Mário de Carvalho, "Fantasia para dois coronéis e uma piscina"

o Tomás leu de Italo Calvino, "Se numa noite de inverno um viajante"

a Paula leu de Hélia Correia, "Montedemo"

o Luís leu de Rui Zink, "O Anibaleitor"

a Gabriela leu de José Saramago, "As intermitências da morte"

a Maria leu de Ian McEwan, "O sonhador"

a Alexandra leu de Manuel António Pina, "O pássaro da cabeça"

a Maria Teresa leu de Jonathan Swift, "As viagens de Gulliver"

a Agostinha leu de Marguerite Yourcenar "Testemunho do sonho"

o Renato leu de Lewis Carroll, "A caça ao Snark"

a Ilda leu de Hermann Hesse, "Siddhartha"

o João Duarte Victor leu de Miguel de Cervantes, "D. Quixote de La Mancha"

a Gabriela leu de António Lobo Antunes, "Os cus de Judas"

a Ana leu de Virginia Woolf, "Orlando"

a Teresa leu de Mia Couto, "Terra sonâmbula"

o Bruno leu de Franz Kafka, "A metamorfose"

a Margarida leu de Antoine de Saint-Exupéry, "O principezinho"

a Luísa leu de Gabriel García Márquez, "Crónica de uma morte anunciada"

o Fernando leu de Herman Melville, "Moby Dick"

depois das leituras individuais fizemos uma brincadeira colectiva com:

Onde estará esse leitor...

Onde estará esse leitor
Que não soletra nem recita?
Que não tropeça nas imagens
Que não ofende os nossos ritmos
Que não destroi as nossas flores?

Onde estará esse leitor,
Onde estarão esses leitores?


Carlos Queiroz
de "Breve Tratado de Não-Versificação"