Com uma periodicidade quinzenal, este clube destina-se a promover o prazer da leitura partilhada, bem como o desenvolvimento de algumas técnicas que a ajudem a pôr em prática.
Para quem gosta de ler para os outros e de ouvir ler.

próxima sessão | 31 Janeiro 2017

será o tema da sessão
será responsável pelo livro do dia

Animais de estimação

com o frio a apertar foram menos os corajosos (quase só corajosas) que se atreveram a sair de casa
Recomeçámos o ano com os nossos animais de estimação. Os nossos não. Os deles. Os cães: o Charley de Steinbeck, o Argo de Ulisses, o Cão como nós de Manuel Alegre, Marley, o cão que veio como treino para um primeiro filho do casal de Marley & eu, o Titã, o "tremendo cachorrão" de Ricardo Benevides que leva Fabíola pelo ares. Os gatos: os de Manuel António Pina, os da cabeça dele e os reais, O gato e o escuro de Mia Couto; os pequenos gatos de Rui Caeiro que vieram acompanhados de muita bicharada: bois, baratas, elefantes, formigas, aves, pombos, tudo bichos de estimação. Ainda houve espaço para Platero, o burro por quem toda a gente se apaixona de Juan Ramón Gimenez e que nesta leitura trazia um som especial que nos transportou de imediato para o campo. E graças aos tempos modernos, ouvimos e vimos um excerto da leitura de O triunfo dos porcos de George Orwell.
deste vez tivemos um tele-cleva, pela Neusa, muito bem acompanhada com cão e com gato
a Teresa apresentou-nos Palomar de Italo Calvino

próxima sessão | 17 Janeiro 2017

será o tema das leituras
será responsável pelo livro do dia

boas festas

mais fotos de André Kertész com pessoas a ler aqui e aqui

mais fotos de Steve McCurry de pessoas a ler, aqui

A minha Terra



Esta noite a festa foi diferente e foi maior. Convidámos os membros dos antigos Clubes de Leitura e juntámos-nos todos. Saímos da Biblioteca mas trouxemos os livros connosco. Fomos muitíssimo bem recebidos na IN.fusão de Sabores. Comemos, bebemos, lemos e porque o natal está à porta, trocámos prendas (livros).

Para o ano há mais.


a Eduarda trouxe-nos "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago como livro do dia


mais um pouco da festa


Somos prisioneiros de guerra. Os nossos sonhos foram medicados. Não pertencemos a lugar nenhum. Velejamos sem âncora por mares revoltos. Podemos nunca ter licença para aportar. As nossas dores nunca serão suficientemente tristes. As nossas alegrias nunca suficientemente felizes. Os nossos sonhos nunca suficientemente grandes. As nossas vidas nunca suficientemente importantes. Para importarem. 
Vamos imaginar que a terra - 4600 milhões de anos de idade – era uma mulher de 46 anos. A Mulher Terra. Toda a sua vida de Mulher-Terra foi dedicada a fazer da terra o que ela é hoje. Dividiu os Oceanos. Fez as montanhas emergir. A Mulher-Terra tinha 11 anos quando surgiram os primeiros organismos unicelulares. Os primeiros animais, criaturas como os vermes e as acalefas, só surgiram quando ela tinha 40 anos. E tinha mais de 45 anos – só há 8 meses – quando os dinossauros deambulavam pela Terra. Toda a civilização humana tal como a conhecemos, começou apenas há duas horas na vida da Mulher-Terra. Portanto, toda a história contemporânea, as guerras mundiais, a guerra dos sonhos, o homem na lua, a ciência, a literatura, a filosofia, a busca do conhecimento, mais não são do que uma piscadela de olho da Mulher-Terra. E nós, tudo o que somos e seremos, é um lampejo nos seus olhos. 
Mais tarde, à luz de tudo o que aconteceu, lampejo parecia uma palavra completamente errada para descrever a expressão nos olhos da Mulher-Terra. Lampejo era uma palavra com rebordos ondulantes e felizes. 

Arundhati Roy de O Deus das pequenas coisas

próxima sessão | 6 Dezembro 2016

será o tema das leituras

será responsável pelo livro do dia

Espaço




Esta sessão do CLEVA dedicada ao tema ESPAÇO começou com notícias sobre o espectáculo de teatro do Grupo de Teatro Comunitário da Casa da Achada a que assistimos no Liceu Camões. Esse trabalho revelou-nos uma forma corajosa e simples de trabalhar a leitura em voz alta. A não perder.
Ainda passámos a seguir pela conversa sobre promoção da Leitura, nos Dias do Desassossego, onde a Cristina foi convidada a participar em nome da Andante.
Depois ouvimos a história La noche en que las letras se liberaron de Pep Duran e da sua livraria, o livreiro e contador de histórias catalão. Apesar da pronúncia, ouvimos o texto em espanhol, tal como estava escrito no livro "Palavras por la lectura".
Os exercício práticos recaíram desta vez sobre a espacialidade e sobre a propagação do som da voz. Partimos do poema de Nuno Júdice:

Semiologia


Digo: o amor. Há palavras que parecem sólidas,
ao contrário de outras que se desfazem nos dedos.
Solidão. Ou ainda: medo. As palavras, podemos
escolhê-las, metê-las dentro do poema como
se fosse uma caixa. Mas não escondê-las. Elas
ficam no ar, invisíveis, como se não precisassem
dos sons com que as dizemos.

A partir daqui tentámos construir uma linha musical com palavras libertadas no espaço pela nossa voz, e tentámos dominar o nosso movimento usando apenas a audição de um som previamente definido.

Depois tivemos direito a leituras verdadeiramente entusiasmantes sobre o tema:
Cada vez mais este grupo elabora as suas prestações, as trabalha, as prepara, para nos surpreender, para nos conquistar, ganhando consciência das dificuldades e dos objectivos a atingir.
 as leituras passaram por:
A máquina do mundo e Poema do homem só de António Gedeão;
Uma noite caiu uma estrela de David Machado e Paulo Galindro;
Diário mínimo de Umberto Eco;
Liberdade e A fada Oriana de Sophia de Mello Breyner Andresen


a Isabel trouxe-nos Os transparentes de Ondjaki como livro do dia

O último texto que ouvimos foi o do livro do dia: Os transparentes de Ondjaki. O único senão é que já estávamos todos conquistados antes, este é um livro excepcional. Agradecemos à Isabel por nos lembrar.

E comemos e bebemos e rimos e conversámos e ...

próxima sessão | 22 Novembro 2016

será o tema das leituras


a Isabel será responsável pelo livro do dia

Costura




Com um tema destes foram muitas as linhas e panos que vieram a esta sessão; até tivemos direito a um desfile de alta... leitura.
Começámos como sempre pela "agenda cultural" e regressámos aos direitos inalienáveis do leitor de Daniel Pennac mas desta vez para brincar com eles. Experimentámos com eles as dificuldades das leituras em grupo: coros e canons. As dificuldades da simultaneidade: como ir a tempo sem tornar numa melopeia sem sentido e desinteressante aquilo que o coro está a dizer. As dificuldades de criar uma música com as palavras, sendo a de cada um diferente da do parceiro e mesmo assim inteligível e interessante. Como ouvir os outros sem perder a nossa voz.

Começaram então as leituras sobre o tema da sessão:

foram lidos excertos de:
Alinhas? de Margarida Teodora Trindade e Alexandra Sirgado
O tecido do diabo de Michel Pastoureau
A casa do fim de José Riço Direitinho
O alfaiate do Panamá de John Le Carré
A liberdade de pátio de Mário de Carvalho
As viagens de Gulliver de Jonathan Swift
Edwin Abbott Abbott - Flatland 
Tereza Coelho e Maria Conceição Avillez - A moda em Portugal nos últimos 30 anos
O patusco de Mário-Henrique Leiria de Novos contos do gin
e ainda Caladryl e Não di noité di dia, de Adília Lopes, respectivamente de Manhã e Obra

em dia de eleições nos EUA
a Cristina trouxe "Notas sobre um país grande" de Bill Bryson como livro do dia.
Expressámos os nossos medos mas com esperança de que não se concretizassem. Não foi o caso.
Aí temos o monstro à solta.


E terminámos com um desfile de alta leitura e uma festa de comida e bebida e conversa. Na verdade, a festa da comida e da bebida (era S. Martinho) começou logo no início da sessão. Tornou tudo muito mais animado e descontraído.

Mar (com humor)



Este grupo novo do CLEVA só nos traz alegrias e riso à desfilada. Nesta sessão houve quem chorasse... de rir; houve quem trajasse a preceito para seduzir o diabo; houve quem entortasse as palavras de tal maneira que até entraram "halifantes", houve redacções sobre para onde os pais olham e as mães não gostam, houve sotaques, houve senhoras a fazer xixi no mar, e mais e mais, enfim, uma noite memorável. Mas antes disso tudo, cantámos. E em cima das canções dissemos poemas. E trabalhámos muito o nosso sentido crítico. Ah, é verdade, e depois houve um repasto de se lhe tirar o chapéu. Este clube promete!

Aqui ficam os autores e obras lidas nesta sessão:

Ruy Belo, "Na praia" de "Todos os poemas"
Jorge Amado, excerto de "Mar morto"
Gil Vicente, excerto de "Auto da Barca do Inferno"
Luís de Sttau Monteiro, "Ontem na praia" de "Redacções da Guidinha"
Afonso Cruz, excerto de "Mar - Enciclopédia da Estória Universal"
Mia Couto, excerto de  "O jardim marinho" de "Cronicando"
Frederico Pombares e Henrique Dias, excerto de "É como diz o outro"
Russell Edson, "A mensagem" de "O espelho atormentado"
Manuel Alegre, excerto de "Cão como nós"
Rui Zink, "Amanhã chegam as águas" de "A palavra mágica"
Herman Melville, excerto de Moby Dick


a Oriana trouxe-nos "Romance de Amadis" de Afonso Lopes Vieira

próxima sessão | 25 Outubro 2016

será o tema da próxima sessão

*****ATENÇÃO*****

os textos terão de ser humorísticos

será responsável pelo livro do dia


Porta aberta


Nesta 2ª sessão começámos o trabalho prático de abordagem, ainda que superficial, a algumas técnicas de leitura em voz alta - respiração, descontração, projecção de voz. 

Ainda sobre este tema, falámos do livro A INTUIÇÃO LEITORA, A INTENÇÃO NARRATIVA de Rodolfo Castro

A Cristina iniciou a ronda de leituras falando primeiro de um conjunto de projectos de promoção da leitura em situações onde quase todas as portas parecem fechadas e onde a leitura se apresenta como uma possibilidade de chave para essas portas. É o caso dos projectos: 

- LEITURA FURIOSA - A Associação Cardan, sediada na cidade de Amiens (Picardia), organiza a Leitura Furiosa desde 1992 e desde então acontece em várias cidades europeias simultaneamente. É um encontro de pessoas zangadas com a leitura com escritores, permitindo que as primeiras possam acompanhar o processo de criação de um texto.

 - A POESIA NÃO TEM GRADES - Projecto de Filipe Lopes de promoção da leitura, realizado dentro de prisões com o objectivo de promover a experimentação artística e assim contribuir para o desenvolvimento intelectual e pessoal daquela população.

 - MEDIAÇÃO LEITORA EM CONTEXTO PRISIONAL - Projecto de Miguel Horta com a Laredo Associação que já há muitos anos desenvolve projectos de promoção da leitura em continuidade, dentro das prisões.

Falou-se ainda de uma série de projectos desenvolvidos nestas áreas pelos técnicos que trabalham nas prisões: edição de livros, edição de revistas literárias, oficinas de escrita, bibliotecas prisionais, etc. 

E começaram as leituras do dia: 

A Cristina leu de Nazim Hikmet, "Angina Pectoris", poema inserido na antologia de Egito Gonçalves, A PALAVRA INTERDITA; a Alexandra leu um pequeno excerto de um conto de Ondjaki "Padre Inácio, o mata anjos" do livro MOMENTOS DE AQUI; voltámos à poesia com a Ana que, de Miguel Cardoso, leu um excerto do poema "Então passou o tempo" do livro VÍVERES; a Eduarda leu um excerto de DESUMANIZAÇÃO de Valter Hugo Mãe; a Oriana leu um excerto do SENHOR DOS ANÉIS de J. R. R. Tolkien; a Manuela Loja leu de José Rentes de Carvalho, um excerto de O MEÇAS; a Isabel leu o início de AFRODITE de Isabel Allende numa brincadeira dengosa e colorida; o Avelino trouxe-nos o ADMIRÁVEL MUNDO NOVO de Aldous Huxley; o Fernando leu um poema de Miguel Manso, "A falha do Tejo" do livro POESIA, UM DIA, POETAS EM RÓDÃO, um projecto de Vila Velha de Ródão de que nos falou um pouco; a Marina trouxe de Emma Donoghue, um excerto do livro O QUARTO DE JACK; a Rosalina leu de Sapphire, PRECIOUS - A FORÇA DE UMA MULHER que talvez conheçamos melhor do filme que ganhou o Óscar em Hollywood; a Neuza trouxe a porta aberta de ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS, a menina de Lewis Carroll, que preferia manter-se de olhos fechados para sonhar melhor. E no final, tivemos uma convidada. A Leo, veio para ver se gostava, nós esperamos que sim, e trouxe um excerto de um conto de Saki com o nome exacto do tema: "Porta aberta". O conto pertence ao livro GATO INDISCRETO E OUTROS CONTOS




a Alexandra trouxe
Eu e os Políticos - O que não pude (ou não quis) escrever até hoje - O livro proibido - de José António Saraiva

Finalmente bebemos e comemos... e conversámos.

próxima sessão | 11 Outubro 2016

será o tema das leituras

será a responsável pelo Livro do Dia