Com uma periodicidade quinzenal, este clube destina-se a promover o prazer da leitura partilhada, bem como o desenvolvimento de algumas técnicas que ajudem a pôr em prática esta actividade.
Para quem gosta de ler para os outros e de ouvir ler.

próxima sessão | 10 Fevereiro 2015

será o tema
***ATENÇÃO```
os textos serão obrigatoriamente humorísticos
e preferencialmente lidos em grupo

apresentará o livro do dia

próxima sessão | 27 Janeiro 2015

será o tema
***ATENÇÃO***
os textos deverão, obrigatoriamente, ser de TEATRO

a foto de família, depois da festa


mas a família desta vez foi bem maior:

À BARCA!

Pesquisa e Guião – Cristina Paiva

Encenação – Cristina Paiva e Fernando Ladeira

Produção – José Luís Grilo e Andante

Textos – António Rei, Bernardim Ribeiro, Damião de Góis, Erasmo de Roterdão, Fernão Mendes Pinto, Gil Vicente, João Ruiz de Castel Branco, Luís de Camões, Sá de Miranda

“Maestrina” – Cristina Paiva

Coro leitor – Adília Silva, Ana Brandão, Ana Maria Tavares, Ana Maria Vieira, Anabela Labreca, Antónia Batalha, António Soares, Cíntia Mendes, Conceição Aguiar, Cristina Alves, Daniel Guerra, Eugénia Casadinho, Gabriela Maduro, Helena Barros, Ilda Albuquerque, Isabel Moisés, Luís Correia, Manuel Aguiar, Margarida Martins, Maria Abelha, Mariana Tomás, Paulo Machado, Renato Ribeiro, Rosa Almeida, Vitória Roque

Crianças do 5º H – Afonso Pereira, Ana Raquel Simões, Andrei Ratá, Carolina Alves, Catarina Jalles, Daniel Rodrigues, Diogo Sousa, Diogo Campos, Helena Santos, João Gomes, Lauro Rodrigues, Luana Sobral, Madalena Antão, Maria Pereira, Mariana Borges, Miguel Ciupac, Raquel Marques, Rodrigo Gomes, Samuel Serra, Sara Figueiredo, Sofia Paiva, Tânia Cumpanasoiu, Tomás Brandão, Tomás Paitio

Música – Juan del Encina
Arranjos musicais – Maestro António Menino
Músicos – António Menino,…
Tenor – Bruno Almeida

Concepção plástica – Cíntia Mendes
Costureira – Antónia Batalha
Confecção de adereços – Alexandra Ferreira, Cíntia Mendes, Margarida Martins

Música – Juan del Encina
Arranjos musicais – António Menino
Músicos – António Menino (clarinete soprano), Diogo Cocharra (clarinete soprano), Ricardo Piçarra (percussões), Rui Cocharra (clarinete baixo) e Tiago Menino (clarinete soprano)
Tenor – Bruno Almeida

Conceção plástica – Cíntia Mendes
Costureira – Antónia Batalha
Confeção de adereços – Alexandra Ferreira, Cíntia Mendes, Margarida Martins

Coreografia – Bruno Rodrigues
Bailarinos – Adelino Lourenço, Beatriz João, Débora Gago, Inês Reis, Nádia Fernandes, Patrícia Macedo

Bailadores – Catarina Lourenço, Cila Gonçalves, Fábio Gonçalves, Fátima Martins, Marisa Peixinho, Miguel Melo, Patrícia Martins, Rúben Cardoso, Rui Faria, Vanessa Hipotecas
Director técnico – Arsénio Ferreira

Som e Luz – Fernando Ladeira e Ricardo Tavares

Agradecimentos – Professoras Celina Mendes, Helena Barros, Paula Simões e Sónia Santos

áfrica



a Cristina começou por ler-nos um pouco de "O prazer da leitura" de Marcel Proust


de seguida trabalhámos dicção

e as leituras do tema da sessão:

a Cristina e o Fernando leram um excerto de "A relíquia" de Eça de Queiroz


a Maria, a Alexandra e a Patrícia leram um excerto de "Os Lusíadas" de Luís de Camões


a Maria João leu um excerto de "Chuva Braba" de Manuel Lopes


a Ana Maria leu de João de Deus
Versão Zulu

Rainha Jacinta foi
dar uma tarde passeio,
quando mestre Ginga veio
assanhado como um boi;
e diz a Jacinta: – “Dói
ver que estás tão insensata;
em dia que a onda bata
assim com a força desta,
só sendo pessoa besta,
só sendo pessoa gata,
vem à praia fazer festa
sem medo de água que mata.”

Mas vai rainha Jacinta,
que tem bestunto e tineta,
cuida que Ginga diz peta,
cuida que Ginga lhe minta;
e diz ao Ginga: – “Consinta
ou não consinta o sinhora,
Jacinta vai praia fora,
buscando concha encarnada;
atrás de mim vem soldada,
vem gente que toda a hora
que me veja atrapaiada,
deita logo calça fora,
rainha Ginga é pescada.”

Mal sabia gente preta,
mal cuidava (triste dia!),
ver Jacinta numa pia
mais funda que uma gaveta!
Corre o gente todo inquieta,
rainha Ginga estrebucha;
foi obra dalguma bruxa
ir esticando a canela!
Gente preta pega nela,
preto larga, preto puxa;
mãe Jacinta volta a ela,
pai Ginga dança cachucha.

Jacinta é condecorada
com berliques de pendura
e faz bonita figura
com sua fita bordada,
com sua fita encarnada,
da cor que pretinho gosta;
fita maior que lagosta,
fita maior que pescada:
em n’a pondo atravessada,
rainha Ginga, bem posta,
pretinho bate palmada:
“- Viva Jacinta da costa!
Viva Jacinta pescada!”


o Luís leu excerto de "Carta a Guerra Junqueiro"
de Eça de Queirós, de Correspondência de Fradique Mendes
V. porém dirá (e de facto o diz): «Tornemos essa comunicação puramente espiritual, e que, despida de toda a exterioridade litúrgica, ela seja apenas como o espírito humano, falando ao espírito divino». Mas para isso é necessário que venha o Milénio — em que cada cavador de enxada seja um filósofo, um pensador. E quando esse Milénio detestável chegar, e cada tipóia de praça for governada por um Mallebranche, terá V. ainda de ajuntar a esta perfeita humanidade masculina, uma nova humanidade feminina, fisiologicamente diferente da que hoje embeleza a Terra. Porque enquanto houver uma mulher constituída física, intelectual e moralmente como a que Jeová, com uma tão grande inspiração de artista, fez da costela de Adão, — haverá sempre ao lado dela, para uso da sua fraqueza, um altar, uma imagem e um padre. 
Essa comunhão mística do Homem e de Deus, que V. quer, nunca poderá ser senão o privilégio duma élite espiritual, deploravelmente limitada. Para a vasta massa humana, em todos os tempos, pagã, budista, cristã, maometana, selvagem ou culta, a Religião terá sempre por fim, na sua essência, a súplica dos favores divinos e o afastamento da cólera divina; e, como instrumentação material para realizar estes objectos, o templo, o padre, o altar, os ofícios, a vestimenta, a imagem. Pergunte a qualquer mediano homem saído da turba, que não seja um filósofo, ou um moralista, ou um místico, o que é Religião. O inglês dirá: — «É ir ao serviço ao domingo, bem vestido, cantar hinos». O hindu dirá: — «É fazer poojah todos os dias e dar o tributo ao Mahadeo». O africano dirá: — «É oferecer ao Mulungu, a sua ração de farinha e óleo». O minhoto dirá: — «É ouvir missa, rezar as contas, jejuar a sexta-feira, comungar pela Páscoa». E todos terão razão, grandemente! Porque o seu objecto, como seres religiosos, está todo em comunicar com Deus, e esses são os meios de comunicação que os seus respectivos estados de civilização e as respectivas liturgias que deles sairam, lhes fornecem. Voilà! Para V., está claro, e para outros espíritos de eleição, a Religião é outra coisa — como já era outra coisa em Atenas para Sócrates e em Roma para Séneca. Mas as multidões humanas não são compostas de Sócrates e de Sénecas — bem felizmente para elas, e para os que as governam, incluindo V. que as pretende governar! 
De resto, não se desconsole, amigo! Mesmo entre os simples há modos de ser religiosos, inteiramente despidos de Liturgia e de exterioridades rituais. Um presenciei eu, deliciosamente puro e íntimo. Foi nas margens do Zambeze. Um chefe negro, por nome Lubenga, queria, nas vésperas de entrar em guerra com um chefe vizinho, comunicar com o seu Deus, com o seu Mulungu (que era, como sempre, um seu avô divinizado) . O recado ou pedido, porém, que desejava mandar à sua Divindade, não se podia transmitir através dos Feiticeiros e do seu cerimonial, tão graves e confidenciais matérias continha... Que faz Lubenga? Grita por um escravo: dá-lhe o recado, pausadamente, lentamente, ao ouvido: verifica bem que o escravo tudo compreendera, tudo retivera: e imediatamente arrebata um machado, decepa a cabeça do escravo, e brada tranquilamente — «parte»! A alma do escravo lá foi, como uma carta lacrada e selada, direita para o Céu, ao Mulungu. Mas daí a instantes o chefe, bate uma palmada aflita na testa, chama à pressa outro escravo, diz-lhe ao ouvido rápidas palavras, agarra o machado, separa-lhe a cabeça, e berra: — «Vai!» Esquecera-lhe algum detalhe no seu pedido ao Mulungu... O segundo escravo era um pós-escrito...
Esta maneira simples de comunicar com Deus deve regozijar o seu coração. Amigo do dito. — FRADIQUE


a Gabriela leu de Luísa Ducla Soares
Negra

Vós chamais-me moreninha
Mas eu morena não sou,
Sou tão negra como a noite
E a estrada por onde vou.

Tenho olhos de azeitona,
Minha pele é de pantera,
Meu corpo tem um traçado
Ágil e negro de fera.

Negra África me corre
Dentro das veias, num rio.
Só o meu sorriso é branco
Como as velas dum navio.

Não me chamem moreninha
Porque eu morena não sou,
Sou negra como o orgulho
De ser aquilo que sou.


o Renato leu um excerto de "O coração das trevas" de Joseph Conrad


a Virgínia e a Celina leram "A serpente de Olumo",
conto da tradição oral da Nigéria, de "Contos Nigerianos"


a Ilda também leu um excerto de "O coração das trevas" de Joseph Conrad


a Margarida leu um excerto de "Os Lusíadas", Canto V de Luís de Camões


a Teresa leu de Henrique Teixeira de Sousa
Entre gente de sobrado, de loja e de funco, nasci e vivi.
Nunca cheguei a perceber bem qual o lugar me coube nessa sociedade.
Por isso, este livro é de todos e para todos.

A igreja estava apinhada de gente. Não de gente que viesse toda ao funeral de Nha Caela. Gente, sim, que estava ali, na maioria, para assistir à missa grande do dia de S. Lourenço. Desde o altar-mor até cá fora à entrada quase não havia lugar para cair uma agulha, tantos eram os pés e os joelhos que cobriam o chão. No meio da igreja, numa rodinha que pouco mais era que o espaço para meia dúzia de covas de milho, descansava o caixão de Nha Caela. Quatro castiçais de bronze ladeavam o esquife. As velas de cera ardiam serenamente, dir-se-ia a alma bondosa da finada evolando-se da terra. Bafo morno pairava no ambiente de mistura com o cheiro a podridão que vinha do corpo da defunta. Mas isso não impedia que mais pessoas procurassem furar a multidão para se instalarem pertinho dos castiçais. Nem mesmo se sabia quando findavam os apertões e de que maneira o padre Afonso havia de realizar as exéquias. Logo foi ela morrer na véspera de S. Lourenço e escolher precisamente aquela igreja para receber o ofício fúnebre, no dia 10 de Agosto, dia do orago da freguesia. Bem podia ser enterrada na cidade, onde de resto residia a maior parte do ano. Mas morreu no sobradão de Ilhéu de Contenda, e assim deixara recomendado ao filho Eusébio, caso fechasse os olhos na sua casa de campo, que a sepultassem no cemitério de S. Lourenço, ao lado do amado esposo. Muito nutrida e pesada, não foi sem alguma dificuldade que transportaram o corpo até à igreja, debaixo de um sol de rachar. O camião, que devia vir de S. Filipe para acarretar o caixão, teve dois furos e ficou parado por altura de Cutelo Comprido. Quando o ajudante do camião chegou suado ao sobradão para informar Nhô Eusébio da avaria, este já havia recrutado oito homens para levar o esquife, que agora estava a ser desrespeitado pelos festeiros, e donde exalavam os odores fétidos que empestavam a igreja. Até pingava líquido pútrido por baixo, saído talvez dos orifícios naturais. Não era para admirar, com o calor que fazia. Calor prenunciando mais chuva. Desde 20 de Julho que chovia a bom chover. Nunca se vira ano agrícola que começasse com tanta chuva. Quase todos os dias caía água do céu. Por isso, andava tudo verde, do mar até à serra. Forçosamente que seria um ano farto.

excerto de "Ilhéu da Contenda"


o Tomás leu o prólogo de "A cabana do pai Tomás" de Harriet Beecher Stowe

Este relato refere-se a uma raça de homens nascidos sob o sol dos trópicos, uma raça resignada, heróica e abnegada ao longo de muitos anos – a raça de cor, a raça negra -, embora já se vislumbre, clareando na distância de um belo horizonte, o amanhecer de melhores dias. Foi a influência díspares, tendendo a converter em maravilhosa realidade a máxima do Cristianismo: «Amai-vos uns aos outros.»                                   
Surge na mente da autora deste livro a recordação da África, o malfadado continente que constituiu o primeiro degrau da grandiosa escadaria que conduzia à civilização ao progresso nos primeiros alvores de uma humanidade que ainda permanecia adormecida na noite dos tempos – essa África que, após muito século de horrível escravidão, lança agora no espaço, se bem que ainda em vão, o seu angustioso apelo de liberdade. Talvez por isso, a raça dominante tenha entendido finalmente que nunca é tarde para se abrir à compreensão e à convivência cordial, começando a franquear o coração à piedade, serenamente convencida que é muito mais nobre proteger a pária a escravizá-lo extenuá-lo com o rigor da mais infame das desditas humanas. Graças, pois, ao céu, por haver permitido que o mundo pudesse sobreviver à traficância dos negros!



a Luísa e a Ana leram um conto tradicional do Burkina Faso "O belo negro"


a Gabriela apresentou "Capitãs de Abril" de Ana Sofia Fonseca como livro do dia


e para terminar... entre outras iguarias tivemos Fogaças de Palmela
 Fogaças de Palmela

500 g de pão em massa; 500 g de açúcar amarelo; 1 kg de farinha; 125 g de banha; 2 ovos + 1 ovo para pintar; sumo de 2 laranjas; raspa de 1 laranja; aguardente; canela; erva-doce

Ligam-se os ovos ao pão em massa. Juntam-se em seguida, o sumo e raspa das laranjas, a banha, o açúcar, a canela, a erva-doce, a aguardente e por fim a farinha. Depois de tudo bem ligado e amassado deixa-se levedar durante 30 minutos. Moldam-se várias formas, como animais, corações, pés, mãos, cachos de uva,..., e pintam-se com ovo batido. Vai a cozer em tabuleiro untado em forno moderado.

Nota: Poderá levar um pouco mais de farinha, dependendo do tamanho dos ovos e das laranjas para que a massa tenha uma consistência que a permita moldar. A erva-doce e a canela são a gosto, no entanto a quantidade de erva-doce deverá ser sempre superior à da canela. Pode não levar raspa de laranja, mas sim de limão.

próxima sessão | 13 Janeiro 2015

será o tema
***ATENÇÃO***
as leituras deverão, preferencialmente, ser feitas em grupo
e os textos deverão, obrigatoriamente, ser de AUTORES CLÁSSICOS

apresentará o livro do dia

contagem descrescente

mudança de rumo



Hoje começámos a sessão em mirandês;
a Cristina leu um excerto de
L Miu Purmeiro Lhibro an Mirandés de Carlos Ferreira e Paulo Magalhães


o livro do dia foi apresentado pelo Tomás
"A invenção de Hugo Cabret" de Brian Selznick


a Cristina leu um excerto de «A terceira miséria», de Hélia Correia


Gabriela, «A linguagem de Deus», de Francis S. Collins


Maria João, «Cântico Negro», de José Régio


Maria, «Muda de vida», de António Variações


Luís, «O homem sem rumo», de Fiodor Dostoievski


a Maria Teresa leu de José Saramago

As palavras

As palavras são boas. As palavras são más. As palavras ofendem. As palavras pedem desculpa. As palavras queimam. As palavras acariciam. As palavras são dadas, trocadas, oferecidas, vendidas e inventadas. As palavras estão ausentes. Algumas palavras sugam-nos, não nos largam: são como carraças: vêm nos livros, nos jornais, nos slogans publicitários, nas legendas dos filmes, nas cartas e nos cartazes. As palavras aconselham, sugerem, insinuam, ordenam, impõem, segregam, eliminam. São melífluas ou azedas. O mundo gira sobre palavras lubrificadas com óleo de paciência. Os cérebros estão cheios de palavras que vivem em boa paz com as suas contrárias e inimigas. Por isso as pessoas fazem o contrário do que pensam, julgando pensar o que fazem. Há muitas palavras. E há os discursos, que são palavras encostadas umas às outras, em equilíbrio instável graças a uma precária sintaxe, até ao prego final do Disse ou Tenho dito. Com discursos se comemora, se inaugura, se abrem e fecham sessões, se lançam cortinas de fumo ou dispõem bambinelas de veludo. São brindes, orações, palestras e conferências. Pelos discursos se transmitem louvores, agradecimentos, programas e fantasias. E depois as lavras dos discursos aparecem deitadas em papéis, são pintadas de tinta de impressão - e por essa via entram na imortalidade do Verbo. Ao lado de Sócrates, o presidente da junta afixa o discurso que abriu a torneira do marco fontanário. E as palavras escorrem, tão fluidas como o “precioso líquido”. Escorrem interminavelmente, alagam o chão, sobem aos joelhos, chegam à cintura, aos ombros, ao pescoço. É o dilúvio universal, um coro desafinado que jorra de milhões de bocas. A terra segue o seu caminho envolta num clamor de loucos, aos gritos, aos uivos, envolta também num murmúrio manso, represo e conciliador. Há de tudo no orfeão: tenores e tenorinos, baixos cantantes, sopranos de dó de peito fácil, barítonos enchumaçados, contraltos de voz-surpresa. Nos intervalos, ouve-se o ponto. E tudo isto atordoa as estrelas e perturba as comunicações, como as tempestades solares. Porque as palavras deixaram de comunicar. Cada palavra é dita para que não se oiça outra palavra. A palavra, mesmo quando não afirma, afirma-se. A palavra não responde nem pergunta: amassa. A palavra é erva fresca e verde que cobre os dentes do pântano. A palavra é poeira nos olhos e olhos furados. A palavra não mostra. A palavra disfarça. Daí que seja urgente mondar as palavras para que a sementeira se mude em seara. Daí que as palavras sejam instrumento de morte - ou de salvação. Daí que a palavra só valha o que valer o silêncio do ato. Há também o silêncio. O silêncio, por definição, é o que não se ouve. O silêncio escuta, examina, observa, pesa e analisa. O silêncio é fecundo. O silêncio é a terra negra e fértil, o húmus do ser, a melodia calada sob a luz solar. Caem sobre ele as palavras. Todas as palavras. As palavras boas e as más. O trigo e o joio. Mas só o trigo dá pão.

de "Deste Mundo e do Outro"


Virgínia, excerto de «Os Sonhos Não Têm Prazo de Validade», de Laurie Gottlieb e Deanna Rosenswig


Alexandra, excerto de «Um casamento de sonho», de Domingos Amaral


a Celina leu "Mude" de Edson Marques


Ilda, excerto «Os Maias», de Eça de Queirós


Teresa, «Porque», de Sophia de Mello Breyner Andresen


Bruno, excerto «O amor nos tempos de cólera», de Gabriel García Márquez


Margarida, «No ciclo eterno das mudáveis coisas», de Ricardo Reis


Renato, excerto «Guerra e Paz», Liev Tolstói


Ana e Luísa, leram um excerto do conto «Olá gangster» de Érico Veríssimo
 de «Mestres do Conto Brasileiro» selecção de João Alves das Neves


Fernando, «O fugitivo», de Sérgio Godinho


e pronto...

À barca! - 2º ensaio

no dia 24 de Janeiro de 2015 o CLeVA vai participar do espectáculo "À barca!", no âmbito das comemorações dos 500 anos da atribuição do Foral a Alcochete e Aldeia Galega

próxima sessão | 9 dezembro

será o tema

apresentará o livro do dia

escolhas



a Cristina foi de novo ao livro de Rodolfo Castro
"A intuição leitora, a intenção narrativa"


a Virgínia, a Ana e a Margarida leram excertos de
"As horas" de Michael Cunningham e
"Mrs. Dalloway" de Virginia Woolf


a Maria, o Luís e a Ilda leram de Luísa Ducla Soares
Sim ou não?

Sim, não,
 sim, não...
Ou fico com fome
ou como feijão.

Sim, não,
 sim, não. ..
Ou visto pijama
ou ponho calção.

Sim, não,
sim, não...
Ou subo ao pinheiro
ou brinco no chão.

Sim, não,
sim, não...
Ou vou ao cinema
ou leio a lição.

Sim, não,
sim, não...
Ou sou um porquinho
ou uso sabão.

Sim, não,
sim, não...
O que hei-de fazer?
Mas que indecisão!

de "Poemas da Mentira e da Verdade"


a Alexandra e as Gabrielas leram um excerto de
"A inteligência da alma" de José María Doria


a Maria João leu "Teus filhos não são teus filhos" de Khalil Gibran


o Bruno leu um excerto de "As lições do Tonecas" de José de Oliveira Cosme


a Teresa leu de Cecília Meireles
Ou isto ou aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo

de "Ou isto ou aquilo"


o Renato leu um excerto de "O Rei Lear" de William Shakespeare


a Teresa leu de Al-Mu'tamid
felizes aves
nunca se apartaram do bando,
não sentem a ausência da família,
nem passam a noite,
como eu, de coração inquieto
ao ranger da porta da cela
ou ao chiar do ferrolho.
tais sobressaltos não são apenas meus,
fazem parte da humana condição.
desejo vivamente só a morte.
outro, quem sabe, se sujeitaria
à vida com grilhetas, mas eu não!
Alá, proteja os cortiçóis
e também as suas crias
pois às minhas, desventuradamente,
abandonaram-nas água e sombra.

de "O meu coração é Árabe"
Organização e tradução de Adalberto Alves


a Ana, a Cristina e a Luísa leram de "Farsa de Inês Pereira" de Gil Vicente



a Gabriela trouxe-nos "Tratado de história das religiões" de Mircea Eliade